segunda-feira, 26 de março de 2012

Autores - Segunda Geração

Autores - Segunda Geração

Álvares de Azevedo

1. Vida

a) Nasceu em São Paulo, em 1831;
b) Possuía grande intelecto;
c) Possuía grande devoção à família;
d) Morreu no Rio de Janeiro, em 1852 (Tuberculose e Fratura no Fêmur).

2. Características

a) Spleen: poesia e prosa satânica;
b) Tédio
c) Melancolia
d) Medo da Morte
e) Nostalgia
f) Erotismo

3. Obras

a) Lira dos Vinte Anos
b) Noite na Taverna
c) Macário

Casimiro de Abreu

1. Vida

a) Nasceu no Rio de Janeiro, em 1839;
b) Filho fora do casamento;
c) Começou a estudar logo cedo, mas deixou os livros para se dedicar ao comércio a contragosto;
d) Foi a Portugal estudar, mas não termina mais uma vez não termina. Volta adoecido.
e) More em 1860, no Rio de Janeiro, com tuberculose.

2. Características

a) Melancolia / Frustração
b) Saudade / Solidão / Patriotismo
c) Evasão para infância
d) Erotismo inocente

3. Obras

a) Primaveras

Fagundes Varela

1. Vida

a) Nasce no Rio de Janeiro, em 1841;
b) É filho de classe média alta;
c) Não é dado aos estudos (não termina o curso);
d) Casa-se com Rita, trapezita de circo;
e) Seu filho com rita morre;
f) Rita morre e casa-se com a prima;
g) Mais um filho nasce prematuro e morre;
h) torna-se alcoólatra compulsivo.

2. Características

a) Oscilação entre vida e morte;
b) oscilação entre campo e cidade.

3. Obras

a) Cantos Meridionais;
b) Cantos do Ermo e da Cidade;
c) Diário do Lázaro.

terça-feira, 20 de março de 2012

Gil Vicente

Gil Vicente

1. Introdução

- Pai do teatro português

2. Vida

- Nasceu por volta de 1465.
- Tinha prestígio na corte - era conhecido por seus trabalhos.
- Encenou "Monólogo do Vaqueiro" (Nascimento de D. João III).
- Não se sabe sua origem nem profissão (foi ourives ou alfaiate).
- Organizava peças palacianas - organizador de festas (Cancioneiro Geral).
- Morreu em 1537.

3. Características

- Personalidade clivada: dividido entre o Medievo e o Moderno; entre Deus e o Homem.
- Crítico mordaz dos costumes da época e do hábito praticados pelos membros da igreja.
- Precursor do teatro Popular - não seguia os moldes clássicos. Suas peças não tinham rígida marcação temporal e espacial.
- Compunha suas peças em versos, medida velha, incorporando marcas da linguagem oral em suas peças.

4. Obras

4.1 Autos: Peças religiosas ou mundanas com fundo moralizante. Possui influências do teatro medieval e dos autos espanhóis.
a) Auto das Barcas.
b) Auto da Lusitânia.

4.2 Farsas: Peças curtas que satirizavam os maus costumes da época. Era peças simples realizadas em apenas um ato.
a) Farsa do Velho da Horta.
b) A Farsa de Inês Pereira.

4.3 Outras: Peças com cunho classicista e poemas palacianos.
a) Floresta de Enganos.






Humanismo

Humanismo

1. Introdução

- Movimento surgido na Europa na época do Renascimento. É um movimento de transição entre a Idade Média e a Moderna

- O Homem é colocado como centro de todas as coisas.

2. Contexto Histórico

2.1 Ciência

- Avanços tecnológicos nas áreas da física, matemática e medicina.
- Invenção da imprensa.

2.2 Filosofia

- Retomada dos estudos clássicos: poetas e filósofos

2.3 Religião

- Resgate do cristianismo de raiz.
- Questionamento das práticas da igreja.

2;4 Sociedade

- Surgimento da burguesia e do "status" social.
- Crescimento e consolidação das cidades - comércio marítimo.

3. Principais Escritores

- Dante Alighieri (Divina Comédia)
- Petrarca (Cancioneiro)
- Bocaccio (Decamerom)

Humanismo em Portugal

1. Introdução

- Inicia-se em 1434, quando Fernão Lopes se torna cronista-mor da Torre do Tombo.
- Fida-se em 1527, quando Sá de Miranda introduz a "Medida Nova".

2. Contexto Histórico

- Nascimento do Absolutismo - Dinastia dos Avis
- Início das grandes navegações
- Crescimento populacional de Lisboa - Centro da Europa.

3. Manifestações Literárias

3.1 Prosa

a) Fernão Lopes
- Pai da historiografia portuguesa
- Crônicas sobre a história mais remora de Portugal (pesquisa).
- Pesquisa vinculada a um estilo literário fino e rebuscado (ironia).

3.2 Poesia Palaciana

a) Garcia Resende
- Organizou o "Cancioneiro Geral" (1516).
- Poesias Palacianas (desvinculadas da música).
- Medida Velha (redondilhas maiores ou menores).

3.3 Teatro popular

a) Gil Vicente
- Nasceu por volta de 1465.
- Exerceu a função de ourives / alfaiate.
- Organizava peças palacianas (Cancioneiro Geral).
- Tinha prestígio na corte.
- Pai do Teatro Popular.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Gonçalves Dias

Gonçalves Dias

1. Vida

- Nasceu no dia 10 de agosto de 1823 - MAranhão. Filho de Português Natural e Mestiça - Orgulhava-se de ter as três raças que compuseram o Brasil.
- O pai foi perseguido pela república - Fugiu para Portugal. Quando voltou, casou-se com outra mulher, que adotou Gonçalves.
- Com a morte do pai, a madrasta mandou-o estudar em Portugal. Estudou direito em Coimbra, onde se formou.
- Entrou em contato com autores românticos em Portugal (Almeida Garret). Participou de revistas. Foi em Portugal que se iniciou na literatura.
- Voltou ao Brasil formado. Tornou-se funcionário público e jornalista. Apaixonou-se por Ana Amélia, mas teve o casamento rechaçado.
- Casou-se com Olímpia da Costa. Morreu no Maranhão, em um naufrágio, em 1864.

2. Obra

2.1 Poesia Lírico-amorosa
- Oscilação de sentimentos - Felicidade e Tristeza
- Pessimismo, Idealismo e Saudosismo.
- Poesias inspiradas por Ana Amélia.

2.2 Poesia Indianista
- Idealização do índio, da natureza.
- Mito do bom selvagem

2.3 Poesia Nacionalista
- Poesia ufanista.
- Enalteceu a natureza e as belezas da pátria.
- Sentimento de saudade.
- Respeito à natureza.

2.4 Poesia Medieval
- Trato de assuntos medievais.

A Farsa de Inês Pereira

A Farsa de Inês Pereira

1. Introdução

- Foi apresentada pela primeira vez em 1523.
- Originou-se de um desafio proposto a Gil Vicente, graças a uma acusação de plágio:
"mais vale asno que me leve, que cavalo que me derrube."

2. Características

- É a peça mais engraçada e bem acabada de Gil Vicente.
- É uma comédia de costumes (peça cômica).
- Contrapõe-se às demais peças de Gil Vicente: foca no caráter humanístico.
- Preocupação: Homem X Religião.

3. Análise Estrutural da Obra

3.1 Quadros

a) Inês Fantasiosa: Apresentação de Inês Pereira (características morais).
b) Inês Mal-Amada: Primeiro casamento de Inês (repressão e decepção).
c) Inês Quite-Desforrada: Segundo casamento de Inês (liberdade e malandragem).

3.2 Espaço

- Toda peça é centralizada na casa de Inês Pereira (garantia de unidade da ação).

3.3 Personagens Principais

- Inês Pereira: protagonista - simboliza as jovens ambiciosas e interesseiras.
- Pero Marquês: segundo marido - simboliza os jovens inocentes e ricos.
- Brás da Mata: primeiro marido - simboliza os golpistas e boas-vidas.
- Latão e Vidal: casamenteiros - simbolizam o comércio do casamento.
- Ermitão: amante de Inês - aproveitador.

***

A peça tem início com a entrada de Inês Pereira cantando e fingindo que trabalha em um bordado. Logo começa a reclamar do tédio deste serviço e da vida que leva, sempre fechada em casa. A mãe, ouvindo suas reclamações, aconselha-a a ter paciência. Inês é uma jovem solteira que sofre a pressão constante do casamento. Imagina Inês casar-se com um homem que ao mesmo tempo seja alegre, bem-humorado, galante e que goste de dançar e cantar, o que já se percebe na primeira conversa que estabelece com sua mãe e Leonor Vaz. Essas duas têm uma visão mais prática do matrimônio: o que importa é que o marido cumpra suas obrigações financeiras, enquanto que Inês está apenas preocupada com o lado prazeroso, cortesão.

Lianor Vaz aproxima-se contando que um padre a assediou no caminho. Depois de contar suas aventuras, diz que veio trazer uma proposta de casamento para Inês e lhe entrega uma carta de seu pretendente, Pero Marques, filho de lavrador rico, o que satisfazia a idéia de marido na visão de sua mãe. Inês aceita conhecê-lo apesar de não ter se interessado pela carta. Pessoalmente, acha Pero ainda mais desinteressante ainda e recusa o casamento. Sua esperança agora está nos Judeus casamenteiros a quem encomendou o noivo de seus sonhos.

Aceita então a proposta de dois judeus casamenteiros divertidíssimos, Latão e Vidal, que somente se interessam no dinheiro que o casamento arranjado pode lhes render, não dando importância ao bem-estar da moça. Então lhe apresentam Brás da Mata, um escudeiro, que mostra-se exatamente do jeito que Inês esperava, apesar das desconfianças de sua mãe. Antes de vir conhecê-la, porém, o tal Escudeiro, na verdade, pretensioso e falido, combina com seu mal-humorado pajem as mentiras que dirá para enganar Inês.

O plano dá certo e eles se casam. No entanto, consumado o casamento, Brás, seu marido, mostra ser tirano, proibindo-a de tudo, até de ir à janela. Chegava a pregar as janelas para que Inês não olhasse para a rua. Proibia Inês de cantar dentro de casa, pois queria uma mulher obediente e discreta.

Encarcerada em sua própria casa, Inês encontra sua desgraça. Mas a desventura dura pouco pois Brás torna-se cavaleiro e é chamado para a guerra, onde morre nas mãos de um mouro quando fugia de forma covarde.

Finalmente em liberdade, a moça não perde tempo.Viúva e mais experiente, fingindo tristeza pela morte do marido tirano, Inês aceita casar-se com Pero Marques, seu antigo pretendente. Aproveitando-se da ingenuidade de Pero, o trai descaradamente quando é procurada por um ermitão que tinha sido um antigo apaixonado seu. Marcam um encontro na ermida e Inês exige que Pero, seu marido, a leve ao encontro do ermitão. Ele obedece colocando-a montada em suas costas e levando Inês ao encontro do amante.

Consuma-se assim o tema, que era um ditado popular de que "é melhor um asno que nos carregue do que um cavalo que nos derrube".

Contos Novos

Contos Novos

1. Introdução

- Publicação póstuma - 1947.
- Redigido entre 1927 - 1942.
- Representa a maturidade modernista.
- Maior representação do gênero na literatura 30/40.

2. Análise Estrutural

2.1 Foco Narrativo

a) Primeira Pessoa
- Juca: memorialismo e individualismo (retrato da infância, da adolescência e do início da vida adulta).
- Caráter introspectivo e reflexivo (influência das teorias psicanalíticas de Freud).
- Contos: "Peru de Natal", "Vestida de Preto", "Frederico Paciência" e "Tempo da Camisolinha".

b) Terceira Pessoa
- Crítica social - Marxismo.
- Inspiração neo-realista.
- Existencialismo X Problemas Sociais (relação conflituosa do ser humano no mundo).

3. Espaço

- Integram os conflitos das personagens. Acentuam seu sofriemento (ex.: "O Poço").

4. Personagens

a) Juca - Representa a interiorização de temas sociais e familiares. Contém, também, traços autobiográficos de Mário de Andrade.

b) Os personagens em terceira pessoa representam a alienação/reificação. Em alguns contos não possuem nomes.

5. Enredos

Vestida de preto - Nele, o narrador aborda um amplo período de sua vida. Tudo começa na infância. Flagramos Juca (o narrador) e sua prima, de família abastada (alguns estudiosos apontam as dificuldades do relacionamento Juca / Maria, provocadas pela diferença social, como um aspecto autobiográfico) brincando de família com outras crianças numa casa de vários cômodos. No entanto, ao contrário dos outros meninos, o casal protagonista tranca-se num cômodo. Houve um momento em que Maria estende uma toalha no chão. Era hora em que “marido e mulher” deveriam dormir. Deitados, o menino, posicionado atrás da companheira, acaba encantando-se com a vasta cabeleira que tem à sua frente, mergulhando a cabeça nela, enquanto Maria entrega-se, estorcendo-se de prazer, com o contato dos lábios do menino em sua nuca. São interrompidos com a chegada de Tia Velha (outro elemento autobiográfico. Mário de Andrade possuiu uma tia com as mesmas características de Tia Velha), que os flagra, dá-lhes uma bronca e ameaça delatá-los. O que acontece aqui é como a Queda do Paraíso (Mário de Andrade era muito católico). Os dois separam-se, assustados e envergonhados, e nunca mais aquela sensação de êxtase e felicidade vai ser recuperada, apesar de as duas personagens buscarem, à sua maneira, recuperar esse bem perdido. Interessante é notar o papel que a Tia exerce. Antes de sua chegada, a brincadeira não tinha nenhuma conotação indecente. Foi seu olhar, sua reprimenda e julgamento que ensinou a noção de pecado. Dessa forma, podemos entender que o ato em si não era errado; a visão do adulto, representado por Tia Velha, é que aplicava toda essa qualificação repressora. Tudo isso são considerações freudianas. Seguindo rigidamente os pressupostos do pai da psicanálise, vemos as duas personagens afastarem-se, reprimirem o que antes enxergavam como positivo e prazeroso. Distanciam-se por toda a adolescência, apesar de ficar um conflito surdo de desprezo com fundo de sedução. É o que pode ser entendido como “denegação”, a negação que esconde uma afirmação. Juca assume uma imagem negativa na família, como o maluco, o que não se apega muito às regras (essa imagem será retomada em O Peru de Natal), enquanto Maria, riquinha, certinha, começa a evitá-lo, mesmo que apenas com um olhar reprovativo. Tempos depois, há uma inversão. O menino, agora adolescente, dedica-se aos estudos (talvez impulsionado por Frederico Paciência, personagem do conto homônimo), sublimando-se, tornando-se bem visto, enquanto Maria, que chega a ir para a Europa, torna-se falada, protagonista de vários escândalos morais. Já na fase adulta, chega a notícia da volta de Maria ao Brasil. Juca vai revê-la. Fica nas entrelinhas a idéia de que seria positiva a união dos dois, pois sossegaria o espírito afoito da mulher. Mas o reencontro é marcado de dolorosas simbologias. Em primeiro lugar, o local, uma “saletinha da esquerda”. A família, ricaça, estava num banquete. Fica marcante – e humilhante – a diferenciação social. Maria recebe-o em seu vestidinho preto, perfeito atiçador de sensualidade e fetichismo. Parecia estar-se oferecendo para ele. O jovem tem sua imaginação explodindo de excitação. No entanto, educado, reprime seus impulsos e diz apenas um “Boa noite, Maria” formal, frio. É o primeiro de entre outros contos em que o protagonista chega muito próximo de um momento de felicidade plena e o deixa escapar, ficando apenas, muito tempo depois, a revivê-lo de forma meio doída. Juca perde contato com Maria, sabendo apenas que ela ia continuar sua vida “alternativa” com um excêntrico austríaco.

O ladrão - Sua narrativa é simples: toda uma vizinhança é acordada com a gritaria de perseguição a um ladrão. Num primeiro momento, marcado pela agitação, os moradores reagem com atitudes que vão do medo ao pânico e à histeria, anulados pela solidariedade com que se unem na perseguição ao ladrão. Num segundo momento, caracterizado pela serenidade e enleio poético, um pequeno grupo de moradores experimenta momentos de êxtase existencial. Os comportamentos se sucedem, numa linha que vai do instinto gregário ao esvaziamento trazido pela rotina. O engraçado é que ninguém chega a ver esse bandido, o que leva à dúvida sobre sua existência. No entanto, serviu para unir as pessoas em plena madrugada para viverem um pouco da alegria coletiva, o que já estava começando a desaparecer na São Paulo da época de Mário de Andrade.

Chama a atenção nesse conto como o elemento coletivo é bastante vivo, chegando perto da técnica apresentada por Aluísio Azevedo em O Cortiço.

Primeiro de Maio - Conflito de um jovem operário, identificado como "chapinha 35", com o momento histórico do Estado Novo. 35 vê passar o Dia do Trabalho, experimentando reflexões e emoções que vão da felicidade matinal à amargura e desencanto vespertinos. Mesmo assim, acalenta a esperança de que, no futuro, haja liberdade democrática para que "sua" data seja comemorada sem repressão. O conto possui uma excelente ideia que pecou pelo aspecto panfletário. Sua personagem principal, 35 (a maneira como as personagens são nomeadas, por meio de números, não só indica a desumanização por que passam dentro do sistema capitalista, como também faz referência a datas importantes, como 35 (ano em que foi decretado o feriado de Primeiro de Maio) e 22, ano de fundação do Partido Comunista Brasileiro), um carregador de malas da Estação da Luz, sofre uma transformação psicológica: vai da visão ingênua sobre o feriado até a noção desencantada e decepcionada, mais próxima da realidade (talvez a aquisição de conhecimento, consciência, esteja simbolizada na maçã que 35 come no decorrer do final do conto). Acha estranho que o feriado seja comemorado por um grupo de políticos encasacados, enquanto os trabalhadores são impedidos pela polícia de se agruparem. Atrás da catedral de

Ruão - Relato dos obsessivos anseios sexuais de uma professora de francês, quarentona invicta, que procura hipocritamente dissimular seus impulsos carnais. Aplicação ficcional da psicanálise: decifração freudiana. O conto foge um pouco ao tom dos demais em terceira pessoa, pois apresenta uma forte abordagem freudiana, aproximando-se, portanto, dos contos em primeira pessoa. Sua protagonista, mademoiselle, é uma velha solteirona virgem que se dedica a pajear jovenzinhas da burguesia paulistana. Sua sexualidade reprimida é descarregada em diversas formas de recalque, a começar pela coriza constante. Mas o que chama mais atenção é a sua linguagem, sempre na proximidade do perigo, dizendo e não dizendo nada erótico, o que delicia as adolescentezinhas, fazendo-as entrarem no mesmo jogo. O problema é que as meninas vão crescendo e vão trilhando caminhos sexuais que a dama de companhia não conhece. Vi ficando cada vez mais para trás.

Seu último recalque manifesta-se no final do conto. Durante a narrativa a protagonista fazia referência a uma mulher que havia sido violentada na escuridão atrás da Catedral de Ruão, na França. Esse acontecimento ficou tão marcado em sua mente que, certa vez, voltando para casa, acaba por descer no ponto errado. Seu inconsciente já estava dominando.

Para chegar até a sua casa, tem de passar pelo Largo Santa Cecília, onde fica a igreja de mesmo nome. Poderia muito bem ir pela frente, mas alguma força a faz ir para a parte de trás da igreja.

Nesse ponto, mademoiselle ouviu passos atrás dela. Apressou sua carreira, mas sentiu que os seus perseguidores também se apressavam. Até que se viu derrubada no chão e atacada sexualmente.

No parágrafo seguinte, vemo-la chegando à entrada de sua pensão, esbaforida. Os sujeitos que andavam atrás dela conversam despreocupadamente, alheios à presença dela. Tudo não havia passado de delírios da solteirona. Esquizofrenia, eis a sua perversão.

Surpreendentemente, quando os homens passam perto, ela dá uma nota para eles, dizendo “merci pour votre bonne compagnie” (“Obrigado por vossa boa companhia”, em francês. Este conto está recheando de expressões nessa língua, que devem ser ignoradas, pois sabê-las ou não não traz enormes prejuízos à compreensão do texto).

O poço - Mais eficiente em sua crítica social pois o faz de maneira mais literária e menos panfletária, é uma história que se passa em um pesqueiro, lugar predileto de lazer da burguesia da época. O seu dono está preocupado com a construção de um poço, uma benfeitoria para si e para os visitantes, o que o faz ficar chateado com o atraso da obra, graças ao frio e à umidade do inverno. Era impossível trabalhar com as paredes enlameadas e com risco de desabamento.

Contrariado, aceita a interrupção da obra. O problema é que, ao mostrar a construção para seus visitantes, deixa cair sua caneta. De maneira tirana, força seu empregados a tentar resgatá-la. Quem se dedica a realizar a tarefa é um empregado raquítico e doente, mas adequado para descer no poço. Ainda assim, o clima cada vez mais árduo e o mergulho no lamaçal do poço só pioram sua situação.

De uma forma bem expressionista, conforme se aproxima do clímax do conto, em que a opressão aos operários se torna mais cruel, o frio vai-se tornando mais agudo e o barulho do maquinário do poço vai piorando, como se não mais gemesse, mas gritasse.

No final, o irmão do sacrificado impõe-se de maneira arriscada, dizendo que seu parente não iria mais mergulhar. Houve um impasse, logo desfeito, com a paternal advertência de que o subordinado deveria tomar cuidado com o tom com que se dirigia ao seu patrão.

Dias depois, já afastadas as dificuldades climáticas, os empregados puderam resgatar a caneta do lamaçal, entregando-a ao patrão como se fosse um objeto sagrado. Mas (era de se esperar) já não funcionava mais. Para revolta do leitor, o poderoso joga-a fora; abrindo a gaveta, vêem-se outras iguais.

Peru de Natal - A história passa-se poucos meses depois da morte do pai de Juca. Ainda sob a sombra do luto, o narrador tem a idéia de possibilitar um pouco de alegria às suas “três mães”: mãe, irmã e tia (note que pode ser visto aqui um indício de complexo de Édipo). Expressa o desejo de comemorar o Natal com a degustação de um peru. Socialmente – não se deve esquecer o luto – era uma idéia que poderia ser reprovada, mas quem não curtiria um pouco de prazer na vida? Dessa forma, quando Juca expressa tal desejo, serve de válvula de escape para a família. Nenhuma delas poderia ter feito aquele pedido, mas o desejavam. Assim, com a desculpa de que estavam preocupadas em atender o desejo de um “doidinho”, embarcam na comemoração que também as satisfaz (será essa a função do artista: expressar o que os outros têm reprimido, represado?).

Interessante é lembrar que a família nunca fora desses tipos de festejos, por causa do espírito econômico, seco do pai. O narrador faz lembrar que este não era um chefe de lar cretino, que desprezava suas responsabilidades. Pelo contrário, nunca deixou de sustentá-la. Mas era incapaz daqueles pequenos prazeres, o que acabava por castrar seus parentes.

Esse caráter censor mostra-se forte até mesmo após sua morte. Durante a ceia de Natal, enquanto comiam prazerosamente o peru, a mãe lembra-se que estava tudo perfeito, só faltava o pai. Foi o suficiente para mergulhar a mesa em prantos, para desespero de Juca.

É quando o rapaz tem uma excelente jogada. De uma forma que pode ser entendida como hipócrita, o narrador lembra que a mãe tinha razão. Para tudo ficar perfeito, só faltava mesmo a presença do falecido, mas que onde quer que este estivesse, estaria contente vendo a família reunida. Com tal expediente, em pouco tempo a alegria retornava à mesa e todos voltaram a devorar o peru, enquanto o fantasma do pai começava a diminuir.

Existem elementos nesse conto que fazem referência aos estudos de Freud, Totem e Tabu principalmente. Nota-se isso, primeiro, pela figura do pai como castrador (a idéia do pai como figura castradora vai ser também a base da defesa do matriarcado de um mítico Brasil pré-cabralino, percebida na Antropofagia de Oswald de Andrade e até em Macunaíma, de Mário de Andrade. Lembre-se de que a principal divindade desta obra é Vei, a Sol. Assim, essa civilização, sob a figura da mãe, não reprimiria os prazeres carnais, ao contrário da nossa civilização, patriarcal e judaico-cristã, que tem como principal deus uma figura masculina e, portanto, repressora) e da necessidade de devorá-lo para que haja libertação. Note que a lembrança do pai era um tabu (assunto a ser evitado; foi lembrado, tocado, estragou a ceia). Note a devoração antropofágica representada no momento em que o peru vai sendo comigo: paralelamente, a imagem do pai vai diminuindo, transformando-se num totem, ou seja, elemento a ser nobremente (e talvez friamente) reverenciado.

Frederico Paciência - o único texto em que Mário de Andrade tematizou, ainda que de forma tão tangencial, o homossexualismo.

Pegamos Juca na fase escolar, no que hoje se chamaria a passagem da 8a série para todo o Ensino Médio. Fase conturbada, dizem os psicanalistas, pois é nela que se afirma a identidade sexual, o que implica lembrar que é nela em que tal caráter está oscilante.

A maneira como Juca descreve o seu novo companheiro de escola, Frederico Paciência, destacando seu aspecto solar (alguns mitos (provavelmente Mário de Andrade, profundo estudioso desse assunto, deveria conhecê-los) narram a impossibilidade de relação amorosa entre o sol e a lua, pois nunca se encontram. Esse elemento pode ser relacionado a Juca (de caráter melancólico e, portanto, lunar) e Frederico Paciência (dono de uma explosão de vida e, portanto, de caráter solar), sua cabeleira e sua peitaria, põe a nu a carga sexual do relacionamento. O problema é que, assim como no final de Vestida de Preto, o conto vai estar pontuado de momentos em que se chega próximo do clímax de felicidade, sem saciá-la. Uma vez, um garoto apanhou dos dois meninos porque insinuou algo. Foi a glória para Juca. Outra vez, os dois partilharam a posse momentânea de um livro sobre a história da prostituição. Era uma intimidade num campo perigoso, sexualidade, ao mesmo tempo que gerara remorso em Juca, pois, com tal livro, havia contribuído para macular a imagem solar e pura do amigo.

E por aí os dois vão, deliciando-se em passear abraçados da casa de um para a casa de outro, a ficar no sofá, cabeças unidas. Vivem na proximidade do perigo, como faz mademoiselle, de Atrás da Catedral de Ruão. Era um recalque, assim como o era a maneira como se deliciavam em discutir e se agredirem. Mas queriam apenas intuir a sensualidade, sem jogar para o consciente. Qualquer tentativa em contrário era reprimida.

Um dia, velório do pai de Frederico, os dois tiveram um momento mágico de sedução. Depois de expulsar um homem preocupado, como abutre, com negócios ligados ao falecimento, Juca e seu amigo vão para o quarto. Frederico fica conversando na semi-escuridão. Juca perde-se admirando os lábios carnudos de seu amigo, deitado. Percebendo o lance, Frederico pára de conversar e levanta-se da cama. Falta pouco, percebe-se, para os dois entregarem-se.

No entanto, a lembrança do pai, ainda sendo velado, parece impor-se entre os dois (semelhante à imagem castradora do pai de O Peru de Natal), esfriando completamente o clima. A partir de então, a amizade muda de rumo, perdendo a intensidade.

Por fim, o tanto vira nada. Terminado o colégio, separaram-se, Frederico indo para o Rio. Anos depois, Juca fica sabendo da morte da mãe de seu antigo amigo. Era a grande chance de reatar tudo, sob o pretexto de consolar o necessitado. Mas termina por mandar um telegrama formal, o que arrefece de vez todo o relacionamento.

Nélson - Registro do comportamento insólito de um homem sem nome. Num bar, um grupo de rapazes exercita seu "voyeurismo" pela curiosidade despertada pelo estranho sujeito: quatro relatos se acumulam, na tentativa de decifrar a identidade e a história de vida de uma pessoa que vive ilhada da sociedade, ruminando sua misantropia.

Conto muito estranho, talvez por ser o único que ainda não passou pela revisão final do autor. Marcante é a utilização de vários focos narrativos, em que há uma técnica cubista de colagem de várias histórias, todas sobre o misterioso personagem que freqüenta o bar em que todos estão.

Parece que cada pessoa tem alguma história sobre o misantropo protagonista. Uns dizem que fora apaixonado por uma paraguaia, que o abandonou quando, educada, ficou sabendo do massacre que o Brasil causou ao país dela durante a Guerra do Paraguai. Outros mencionam ter participado da Coluna Prestes. Outros dizem que ele, ao contrário, teria lutado contra a Coluna. Parece ter sido durante esse combate que teria ficando com o braço deformado, a mão em formato de gancho: ficara embaixo d’água, no Pantanal, para escapar do inimigo, quando começou a ser atacado por piranhas, agüentando até que pudesse escapar.

Nelson percebe que está sendo observado, o que o faz sair do bar. Agora o foco narrativo o acompanha. A misantropia da personagem é tamanha que se vê impossibilitada de seguir o seu caminho porque há bêbados à sua frente. No momento em que um policial afasta os arruaceiros, Nelson rapidamente se esgueira, como um bicho, para a sua casa, tranca-se, não se esquecendo de dar três voltas na chave. Isola-se do gênero humano.

Tempo de camisolinha - Provavelmente seu narrador é o mesmo dos outros três, apesar da mudança de nome: Carlos.

O título é uma referência à roupa que o protagonista, ainda no início da infância, usava, típica de criança e que o irritava – claro sinal de que já estava crescendo, apesar de sua mãe não perceber. Nota-se que a criança estava no limiar de sua idade pelo fato de sempre estar brincando com seu pênis, o que, dizem os psicanalistas, equivale ao terceiro e último momento da primeira infância, a fase genital. É interessante lembrar que esse é justamente o momento de socialização da criança: ou vai haver um direcionamento em sua personalidade para o altruísmo, ou haverá para o egoísmo. Coincidência ou não, é este justamente o tema do conto.

A história passa-se numa rara viagem de férias em Santos, possibilitada apenas por causa de um período de convalescença da mãe do narrador (o pai do narrador Carlos não era afeito a esses luxos, o que faz lembrar o pai de Juca, de O Peru de Natal, reforçando a tese de se tratarem das mesmas personagens).

Em seus passeios, a criança, após desafiar a santa (já se disse que Carlos gostava de manipular seu pênis. Mas era sempre repreendido por sua mãe, sob a alegação de que a santa (um quadro na parede) não iria gostar. Nesse dia, Carlos, aproveitando que ninguém estava em casa, exibe com toda empáfia seu diminuto membro para a divindade, espantando-se por nada acontecer. Rompia limites. Estava crescendo), acaba ganhando de um pescador três estrelinhas do mar. O pobre homem havia dito, ao presenteá-las, que serviam para dar boa-sorte. O menino volta para casa feliz, mesmo sem saber direito o que era sorte, guardando as preciosidades no quintal de sua casa. Mas seu estado é tal que fica toda hora indo visitar seus troféus.

Até que, em outro de seus passeios, conhece um português infeliz. Fica sabendo que o sujeito tinha “má sorte”: muitos filhos pequenos, dificuldade para criá-los e uma esposa paralítica. O menino ficou penalizado. Num esforço enorme, volta para sua casa, pega suas estrelinhas e dá a mais bonita para o infeliz.

É o momento de dois grandes aprendizados. O primeiro está na idéia de que a nossa felicidade é sempre diminuída pela infelicidade que existe no mundo. O segundo é a noção de altruísmo, mesmo que para tanto deva diminuir seu bem-estar.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Palavras Denotativas

Palavras Denotativas

1. Introdução

a) É um grupo heterogêneo de palavras que não são enquadradas como advérbio.

b) Elas não modificam o verbo, nem o advérbio, nem o adjetivo, nem outro advérbio.

c) Essas palavras possuem papel transfrásico diferentes do da subordinação e do da coordenação.

2. Tipos de Palavras Denotativas

a) Inclusão: também, até, mesmo.

Até Jonas gabaritou a prova de espanhol.

b) Exclusão: só, somente, salvo, senão, apenas.

Todos trouxeram a tarefa pronta, senão Pedro.

c) Situação: mas, então, pois

Então diga-nos de onde você veio!

d) Retificação: aliás, melhor, isto é, ou antes, ou seja.

É preciso estudar em casa! Aliás, é preciso estudar em casa e todos os dias.

e) Designação: eis

Eis aqui a pesquisa que o senhor havia pedido.

f) Realce:é que, lá, só, ora, que

É que os estudos são importantes

g) Explicação: a saber, por exemplo, isto é, tais quais.

Há várias formas de estudar, a saber: resumos, fichamentos, resoluções de exercícios.

terça-feira, 13 de março de 2012

Gênero Dramático

GÊNERO DRAMÁTICO

INTRODUÇÃO

A palavra Drama é oriunda do grego Drao, que significa agir (ação). Surgiu na Grécia antiga como forma de homenagem ao deus Baco e a outros deuses.

ELEMENTOS DO GÊNERO DRAMÁTICO
a) Personagens
b) Falas
c) Rubricas
> Época
> Cenário
> Figurino
> Palco
> Personalidade

ESTRUTURA DO GÊNERO DRAMÁTICO
a) Atos: série de cenas ligadas por uma temática
b) Cenas: são divididas conforme a ação das personagens.

MODALIDADE DE DRAMA
a) Comédia: retrata os costumes populares de uma sociedade, satirizando seus defeitos por meio de personagens estereótipos.
b) Tragédia: retrata a parte sensível do ser humano, seus sentimentos, seus problemas, suas tensões.
c) Tragicomédia: retrata os problemas vividos pelo ser humano por meio de momentos cômicos.
d) Farsa: pequena peça teatral cujo objetivo é reproduzir costumes grotescos de uma determinada época.
e) Auto: peça com conteúdo religioso ou profano, sempre embasada em simbolismos.

Trovadorismo

Trovadorismo


1. Introdução


a) Marco Inicial > "Cantiga da Ribeirinha (Cantiga da Garvaia), Paio Soares Taveirós, 1189.
b) Primeiras manifestações da língua portuguesa > Foram redigidas em Português Arcaico.

2. Contexto Histórico

2.1 Período Medieval

a) Sistema Econômico: Feudalismo (Suserania e Vassalagem).
b) Sociedade hierarquizada (Clero > Nobreza > Servos).
c) Constante invasão de povos germânicos.
d) Cruzadas: guerra contra os povos árabes.
e) Visão teocêntrica da humanidade.
f) Arte subordinada à igreja.

3. Características Literárias

3.1 Influências

a) Poesia Provençal > Manifestação literária popular do Sul da França.
b) Cavalaria Feudal > Valores culturais e comportamentais.

3.2 Elementos

a) Trovadores (Segrel e Menestrel) > Pessoas de origem nobre que compunham e cantavam com o acompanhamento de instrumentos musicais.
b) Soldadeiras > Moças que cantavam ou dançavam.
c) Instrumentos > Lira, viola, harpa, alaúde, flauta, pandeiro etc.


3.3 Principais Trovadores

a) Paio Soares de Taveirós > Primeira Cantiga.
b) Rei Dom Dinis > Sexto rei de Portugal.

3.4 Estrutura da Cantiga

a) Cantiga Refrão: Há um refrão que se repete após cada estrofe.
b) Cantiga Mestria: É mais complexa e não possui refrões

4. Cancioneiros

4.1  Cancioneiros > Livros manuscritos com a reunião das cantigas.
- Cancioneiro da Ajuda
- Cancioneira da Vaticana
- Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa


5. Tipos de Cantiga

4.1 Cantigas Líricas

Retratavam relações amorosas pautadas no modelo de vida feudal. 

a) Cantiga de Amor
- Eu-lírico masculino;
- Vassalagem amorosa;
- Fidelidade, submissão e respeito;
- Coita: estado de sofrimento do amante;
- Idealização da mulher: a mulher é inatingível;

b) Cantigas de Amigo
- Eu-lírico feminino;
- Expressa o sofrimento feminino;
- Inspiradas em cantigas populares: riqueza temática;
- Cenário campesino;
- Tom confessional.

4.2 Cantigas Satíricas

Retratavam costumes da época por meio de críticas mordazes.

a) Cantiga de Escarnio
- Linguagem conotativa;
-As críticas não eram feitas de maneira direta.

b) Cantiga de Maldizer
- Linguagem chula, obscena;
- Temática: adultério, prostituição;
- Críticas diretas e pesadas.

Novelas de Cavalaria

1. Introdução

As novelas de cavalaria são os primeiros romances, ou seja, longas narrativas em versos, surgidas no século XII. Elas contam as aventuras vividas pelos cavaleiros andantes e tiveram origem no declínio do prestígio da poesia trovadoresca. Tiveram intensa circulação pelas cortes medievais e ajudaram a divulgar os valores e a visão de mundo da sociedade medieval.

2. Ciclos

- Ciclo da Grã Bretanha ;
- Ciclo do Amadis;
- Ciclo de Carlos Magno.

3. O ciclo Bretão

Narrativas centradas nas aventuras do herói lendário da Grã-Bretanha, o Rei Artur, que teria introduzido o Cristianismo na Inglaterra e, com seus Cavaleiros da Távola Redonda, teria dominado os anglos do Norte e os saxões do Oeste, no fim do século V.

3.1 “A demanda do Santo Graal”
O romance narra a lenda da busca da taça onde fora recolhido o sangue de Cristo e do heroísmo dos heróis castos, Galaaz, Perceval e Boors, que encarnam o idealismo cavaleiresco, revelado na defesa da fé cristã e na busca da graça divina, de que é símbolo o cálice sagrado.

4. Ciclo de "Amadis": 
“Amadis de Gaula”

O personagem título, fruto de um amor pecaminoso, põe-se ao “serviço” da bela Criana e, após vitórias fantásticas sobre monstros e gigantes, consegue merecer a posse da mulher amada.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

1. Vida

a) Em 1888 nasceu em Lisboa;
b) Em 1894 (aos seis anos) perdera o pai e o irmão mais velho;
c) Em 1894 mudou-se para Durban, devido ao casamento de sua mãe;
d) Em 1905 voltou definitivamente a Portugal, onde passa a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas comerciais;
e) Em 1915 participou do movimento que culminou na estreia do Modernismo em Portugal;
f) Em 1935 morreu graças a uma Cólera Hepática.

2. Produção Literária

2.1 Heterônimos

Há um questionamento sobre a existência de um "EU" relacionado a FP ou a existência de indícios da fragmentação existencial. É um enigma que cerca o poeta.

a) Álvaro Campos
- Engenheiro
- Educação Inglesa
- Decadentista
- Futurista

>> Tabacaria

b) Ricardo Reis
-Médico
-Monárquico
-Latinista
- Clássico (mitologia, elementos estóicos e epicuristas)

>> "O ano da Morte de Ricardo Reis" (José Saramago)

c) Alberto Caeiro
- Camponês;
- Não possui estudos formais;
- Poeta-Filósofo
- Negação da Metafísica
- Não escrevia em Prosa

>> Considerado o mais complexo heterônimo. Simples na forma, profundo na reflexão.

2.2 Ortônimo

É a figura real de FP. A crítica a chamou de ortônimo, pois os heterônimos possuem a mesma importância que FP.

- Patriotismo
- Misticismo
- Heroísmo
- Tragédia
- Preocupação com recursos musicas/sonoros da poesia

>> "Mensagens" (Principal Obra)

Romantismo no Brasil

Romantismo no Brasil
1. Introdução
1.1 É inaugurado com "Suspiros Poéticos de Saudades, de Gonçalves de Magalhães
1.2 A revista "Niterói - Revista brasiliense" (Tudo pelo Brasil e para o Brasil)
2. Contexto Histórico
2.1 Vinda da família real para o Brasil (incentivo à cultura e à estrutura necessária para ela).
2.2 Proclamação da Independência em 1822
3. Poesia
3.1 Primeira Geração
a) É denominada Indianista / Nacionalista
b) Características: Índio como herói, supervalorização da natureza; patriotismo; religiosidade; lirismo (idealização da mulher).
c) Principais autores: Gonçalves de Magalhães / Gonçalves Dias
3. 2 Segunda Geração
a) É denominada de Ultrarromantismo;
b) É influenciada por Byron (byrioniana)
c) Seus integrantes sofrem do "Mal-do-século"; Há um egocentrismo exagerado
d) Temática: morte / satanismo / poesia cemiterial / solidão / Escapismo / saudosismo / tédio / erotismo / sensualismo / campo como escapismo
e) Principais autores: Álvares de Azevedo / Fagundes Varela / Casimiro de Abreu
3.3 Terceira Geração
a) É denominada de condoreira / hugoana / poesia social
b) Linguagem grandiloquente / Hiperbólica / Extremamente Figurada
b) Denúncia social
c) Principal Autor: Castro Alves
4. Prosa
4.1 Romance Social ou Urbano
a) Retrata o Rio de Janeiro, a corte e os costumes sociais.
b) "A moreninha" (Joaquim Manuel de Macedo) / "Senhora" (José de Alencar)
4.2 Romance Histórico
a) Retrata momentos históricos do Brasil.
b) "As minas de prata" (José de Alencar) / "Guerra dos Mascates" (José de Alencar)
4.3 Romance Indianista
a) Retratam a cultura, as tradições e o linguajar indígena. O índio é colocado como herói (mito do bom selvagem de Rousseau)
b) Trilogia de alencariana: "Iracema" / "O Guarani" / "Ubirajara"
4.4 Romance Regionalista
a) Retratam a cultura, as tradições e o linguajar regional do Brasil.
b) "A escrava Isaura" (Bernardo Guimarães) / "Inocência" (Visconde de Taunay)
4.5 Romance Autobiográfico
a) Retratam fatos da própria vida do autor.
b) "Memórias e um sobrinho meu tio" (Joaquim Manuel de Macedo)
5. Teatro
5.1 Teatro Literário
a) Principal autor: Martins Pena - Escrevia sobre os tipos simples da roça que entravam em contato com a vida luxuosa da corte ("O Juiz de Paz na Roça").

sexta-feira, 2 de março de 2012

Acentuação Gráfica

Acentuação Gráfica

1. Classificação quanto às Sílabas Tônicas

a) Monossílabos Átonos: Preposições e conjunções compostas por uma sílaba.

Na, Mas, Da

b) Monossílabos Tônicos: Substantivos, adjetivos, Advérbios e Verbos compostos por uma sílaba.

Fé, Má, Lá, Dê, Crê

c) Oxítonas: Palavras cuja última sílaba é tônica

Café, Piauí, Sofá

d) Paroxítonas: Palavras cuja penúltima sílaba é tônica.

Teclado, Feriado, Carteira

e) Proparoxítona: Palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica.

Máquina, Oxítona, faríamos


2. Regras de Acentuação

2.1 Monossílabos.

a) Acentuam-se todos os monossílabos tônicos terminados em A(s), E(s) e O (s).

Pés, Pó, Crê

2.2 Oxítonas

a) Acentuam-se todos as oxítonas terminadas em A(s), E(s), O (s) e EM (ns).

Sofá, Irmão, Pelé, Também, Porém

b) Acentuam-se também os verbos terminados em A, E e O seguidos de pronomes átonos.

Oferecê-la, Compreendê-la

c) Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em ditongos abertos (ÉU, ÉI e ÓI).

Chapéu, Corrói, Herói

2.3 Paroxítonas

a) Acentuam-se as paroxítonas terminadas em L, N, R, X, PS; e ditongos crescentes EI, ÃO, Ã(s), I(s), ON (s), UA(s) UM (ns) e U(s)

Automóvel, Hífen, Caráter, Tórax, Bíceps, Jóquei, Órgão, Ímã, Táxi, Elétron, Água, Álbum, Jiu-jítsu

** Não são acentuadas as paroxítonas terminadas em A(s), E(s), O (s) e EM (ns).

b) REFORMA: Não se acentua paroxítonas formadas pelos ditongos abertos ÉU, ÉI e ÓI.

Ideia, Heroico

c) REFORMA: Paroxítonas com sílabas U ou I precedidas de ditongos decrescentes não são mais acentuadas.

Feiura, Baiuca

d) REFORMA: Paroxítonas (e também oxítonas) com sílabas U ou I precedidas de ditongos crescentes são acentuadas.

Guaíra, Piauí

2.4 Proparoxítonas

a) Todas as proparoxítonas são acentuadas

Máquina, Papibaquígrafo

b) As únicas exceções são as palavras estrangeiras não aportuguesadas.

Per Capita

2.5 Hiatos

a) As vogais I e U serão acentuadas quando estiverem sozinhas na Sílaba ou acompanhadas de S.

Saúva, Saúde, Balaústre, Ruína

b) Os hiatos OO e EE não são mais acentuados.

Veem, Enjoo

2.6 Acento no grupo QU / GU

a) REFORMA: O trema não é mais utilizado.

Tranquilo, Liquido (verbo)

b) Somente palavras estrangeiras mantiveram o trema.

Müller

2.7 Acentos Diferenciais

a) Permaneceram os acentos de Pode/Pôde, Por/Pôr, Tem/Têm e Vem/Vêm

b) Forma/Fôrma é facultativo

c) Derivados de TER/VER são recebem acento agudo no singular e circunflexo no plural

Contém/Contêm. Provém/Provêm