quarta-feira, 24 de maio de 2017

Colocação Pronominal

Colocação Pronominal

1. Introdução
- É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.

2. Posição dos pronomes
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições:
- antes do verbo (próclise);
- no meio do verbo (mesóclise);
- depois do verbo (ênclise).

3. Regras de uso

3.1 Próclise obrigatória
a) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum.
Nada me perturba.

b) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que.
Quando se trata de comida, ele é um “expert”.

c) Advérbios
Aqui se tem paz.

Fique Malandro: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de atrair o pronome.
Aqui, trabalha-se.

d) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos.
Alguém me ligou?

e) Em frases interrogativas.
Quanto me cobrará pela tradução?


f) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
Deus o abençoe!
Macacos me mordam!
Deus te abençoe, meu filho!

g) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
Em se plantando tudo dá.

h) Com formas verbais proparoxítonas
Nós o censurávamos.

i) Quando gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa
Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.


3.2 Mesóclise obrigatória
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer – amarei, amarás, ...) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não aconteceu – amaria, amarias, ...)
Convidar-me-ão para a festa.
Convidar-me-iam para a festa.

Fique malandro: Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.

3.3 Ênclise obrigatória
a) Com o verbo no início da frase
Entregaram-me as camisas.

b) Com o verbo no imperativo afirmativo
Alunos, comportem-se.

c) Com o verbo no gerúndio
Saiu deixando-nos por instantes.

d) Com o verbo no infinitivo impessoal
Convém contar-lhe tudo.

Fernão Lopes

Fernão Lopes
1. Introdução
- Considerado o primeiro prosador em Língua Portuguesa.
- É conhecido como o Heródoto português.

2. Vida
- Nasceu em 1380, em família humilde.
- Ocupou vários cargos de confiança na Corte de Avis no tempo de D. João I.
- Foi nomeado Guarda-Mor da Torre do Tombo em 1418. E em 1454 foi promovido Cronista-Mor do reino.
- Morrem em 1459/1460 (?).

3. Fernão Lopes Historiador
- Distingue-se de seus contemporâneos pela imparcialidade, pelo trabalho rigoroso de pesquisa e investigação dos fatos e documentos, levantados junto ao arquivo da Torre do Tombo, aos cartórios e registros paroquiais, sepulturas etc.
- Concepção de História em Fernão Lopes é regiocêntrica, isto é, está centralizada na figura dos reis e dividida em períodos correspondentes aos seus reinados. Contudo, Fernão Lopes buscava uma visão de conjunto da sociedade portuguesa, valorizando as massas populares. 
- Seu espírito crítico, seu conhecimento dos autores da Antiguidade clássica e sua visão da importância do homem como agente da história revelam a aproximação com o espírito do Humanismo.

4. Fernão Lopes Escritor
- Excelência da realização artística. Por isso, interessam também à Literatura.
- Estilo elegante, elaborado, mas sóbrio, sem maneirismos ou afetações.
- estilo com ações simultâneas, cortes abruptos na narrativa, digressões.

5. Principais Crônicas
- Crônica de El-Rei D. Pedro;
- Crônica de El-Rei D. Fernando;
- Crônica de El-Rei D. João I (primeira e segunda par­tes, compreendendo da Revolução de Avis até a expedição a Tânger).

São Bernardo

São Bernardo

1. Introdução
- Um dos livros mais importantes da literatura brasileira.
- Livro de caráter memorialista, próximo à estrutura de Dom Casmurro.

2. Análise Estrutural
- Temática: ciúmes e possessão.
- Narrador: Paulo Honório (primeira pessoa).
- Tempo do enunciado- Tempo da enunciação.
- Espaço: Alagoas
- Tempo: Cronológico (flash back) / Atual.
- Personagens: Paulo Honório, Madalena, Padilha e Godim.

3. Fortuna Crítica
- Possessão como manifestação do “eu”.
- Reificação.
- Problema de verossimilhança: narrador incapaz.

Figuras de Linguagem

Figuras de Linguagem

1. Introdução
As figuras de linguagem são recursos que tornam as mensagens mais expressivas. São divididas em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras.

2. Figuras de som
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”

b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.
“Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.
“Eu que passo, penso e peço.”

3. Figuras de construção
a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)

b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)

c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período.
“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”

d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.
“De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.”

e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode ser:
  • De gênero
Vossa Excelência está preocupado.

  • De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
  • De pessoa

“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”

f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.

g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”

h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.
“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”

4. Figuras de pensamento
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido.
“Os jardins têm vida e morte.”

b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”

c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável.
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)

d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede)

e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax)
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”

g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma coisa personificada).
“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!”

5. Figuras de palavras
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.”

b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos. A metonímia pode ser:

  • Uso do autor autor em lugar da obra:


Gosto de ler Jorge Amado desde que era jovem.

  • Uso da marca em lugar do produto:


Lave as panelas com Bombril e bastante detergente.

  • Uso do nome do proprietário em lugar da propriedade:


Vamos dar uma passada na Vilma para fazer uma visita.

  • Uso do continente em lugar do conteúdo:


Gosto tanto desse perfume que já usei três vidros.

  • Uso da conseqüência em lugar da causa (esse caso particular também é chamado de metalepse):


Os netos respeitam os cabelos brancos da avó.
.
  • Uso da cor em lugar do objeto:


Os pássaros voavam no azul da tarde.

  • Uso do instrumento em lugar do agente:


Ayrton Senna foi um grande volante.

  • Uso do abstrato em lugar do concreto:


As lideranças se reuniram hoje.

  • Relação metonímica de tipo quantitativo (sinédoque)


- Uso da parte em lugar do todo:

Muitos cérebros trabalharam nesta pesquisa.

- Uso do singular em lugar do plural:

Nosso país precisa dar mais atenção à criança e ao adolescente.

- Uso do gênero em lugar da espécie (ou vice-versa):

O homem precisa cuidar melhor do planeta em que vive.


c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado. 
O pé da mesa estava quebrado.

d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade:
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)

e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.

Retirado de: http://concursopublicomeire.blogspot.com.br/2014/03/portugues-para-concursos-figuras-de.html. Adaptado. Acessado dia 24 de maio de 2017. E de http://www.figurasdelinguagem.com/metonimia/. Acessado dia 24 de maio de 2017. Adaptado. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Poesias Palacianas

Poesia Palaciana
1. Introdução
- Produção lírica da literatura portuguesa entre o século XV e a primeira metade do século XVI.
- Desvinculação entre poesias e música, característica presente na produção trovadoresca.

2. Características
- Uso de métricas (redondilha maior / menor);
-  Ambiguidades, conotação, aliteração e jogo de palavras;
- Presença de idealismo e sensualidade;

3. Estrutura
- Mote: estrofe colocada no início de um poema, usada como motivo/tema da obra.
- Glosa: composição poética que desenvolve o mote.

4. Principais escritores
- Garcia de Resende, João Ruiz de Castelo Branco, Nuno Pereira, Fernão da Silveira, Conde Vimioso, Aires Teles, Diogo Brandão e Gil Vicente.

5. Cancioneiro Geral
- “Cancioneiro Geral” (elaborado por Garcia Rezende, em 1516) reúne cerca de 900 produções poéticas da época.

6. Exemplos
Exemplo I
“Meu amor, tanto vos amo,
que meu desejo não ousa
desejar nenhuma cousa.
Porque, se a desejasse,
logo a esperaria;
e, se eu a esperasse,
sei que vos anojaria.
Mil vezes a morte chamo,
e meu desejo não ousa
desejar-me outra cousa.”
(Conde Vimioso)

Exemplo II
“Meu amor tanto vos quero,
que deseja o coração
mil cousas contra a razão.
Porque, se vos não quisesse,
como poderia ter
desejo que me viesse
do que nunca pode ser?
Mas conquanto desespero,
e em mim tanta afeição,
que deseja o coração.”
(Aires Teles)