Memórias Póstumas de Brás Cubas
1. Introdução
- Obra inaugural da fase realista de Machado de Assis, publicada em 1881. Inaugura também o Realismo no Brasil.
- É considerada o "drama da tolice humana";
- Fase mais equilibrada da ficção brasileira até então.
2. Análise estrutural
2.1 Narrador: primeira pessoa, depois de morto (defunto-autor);
2.2 Espaço/época: Rio de Janeiro, final do Século XIX;
2.3 Tempo: cronológico, não linear (flashback e digressões);
2.4 Personagens: Brás Cubas, Virgília, Quincas Borba, Sabina, Cotrin, Eugênia, Nhá Loló, Cotrim, Nhonhô, D. Plácida.
2.5 Enredo: um defunto-autor narra os episódios da sua vida improdutiva e fútil, despido de qualquer compromisso, interesse ou preconceito.
3. Fortuna crítica
- Apenas depois da morte alguém pode se desvestir totalmente de qualquer interesse, preconceito ou compromisso e dizer, com toda sinceridade, o que pensa não só da sociedade, mas também das pessoas com quem convivera.
- O procedimento básico de Brás Cubas em relação a sua vida é o do desmascaramento. Entre a norma social e a opinião pública, de um lado, e as intenções e desejos escusos do personagem, de outro lado, forma-se uma zona obscura que o narrador trata de esclarecer.
- "O delírio", capítulo mais conhecido da obra, em que deixa transparecer que a Natureza ou Pandora é indiferente ao clamor humano.- "O delírio", capítulo mais conhecido da obra, em que deixa transparecer que a Natureza ou Pandora é indiferente ao clamor humano.
- Apresentação da teoria do Humanitas é uma caricatura feroz ao positivismo e ao cientificismo dominantes na época. Paradoxalmente, o ridículo discurso filosófico de Quincas Borba, próximo da insanidade, cujo lema darwinista é Ao vencedor as batatas parece expressar a própria concepção machadiana de mundo, centrada na luta selvagem do indivíduo para estabelecer algum tipo de supremacia sobre os demais.
- Os fatos são narrados à medida que afloram à memória do narrador, que vai tecendo suas digressões, refletindo sobre seus atos, sobre as pessoas, exteriorizando uma visão cínica, irônica e desencantada de si mesmo e dos outros.