quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Memórias Póstumas de Brás Cubas

 Memórias Póstumas de Brás Cubas


1. Introdução

- Obra inaugural da fase realista de Machado de Assis, publicada em 1881. Inaugura também o Realismo no Brasil.

- É considerada o "drama da tolice humana";

- Fase mais equilibrada da ficção brasileira até então.


2. Análise estrutural

2.1 Narrador: primeira pessoa, depois de morto (defunto-autor);

2.2 Espaço/época: Rio de Janeiro, final do Século XIX; 

2.3 Tempo: cronológico, não linear (flashback e digressões);

2.4 Personagens: Brás Cubas, Virgília, Quincas Borba, Sabina, Cotrin, Eugênia, Nhá Loló, Cotrim, Nhonhô, D. Plácida.

2.5 Enredo: um defunto-autor narra os episódios da sua vida improdutiva e fútil, despido de qualquer compromisso, interesse ou preconceito.


3. Fortuna crítica

-  Apenas depois da morte alguém pode se desvestir totalmente de qualquer interesse, preconceito ou compromisso e dizer, com toda sinceridade, o que pensa não só da sociedade, mas também das pessoas com quem convivera.

- O procedimento básico de Brás Cubas em relação a sua vida é o do desmascaramento. Entre a norma social e a opinião pública, de um lado, e as intenções e desejos escusos do personagem, de outro lado, forma-se uma zona obscura que o narrador trata de esclarecer.

- "O delírio", capítulo mais conhecido da obra, em que deixa transparecer que a Natureza ou Pandora é indiferente ao clamor humano.- "O delírio", capítulo mais conhecido da obra, em que deixa transparecer que a Natureza ou Pandora é indiferente ao clamor humano.

- Apresentação da teoria do Humanitas é uma caricatura feroz ao positivismo e ao cientificismo dominantes na época. Paradoxalmente, o ridículo discurso filosófico de Quincas Borba, próximo da insanidade, – cujo lema darwinista é “Ao vencedor as batatas” – parece expressar a própria concepção machadiana de mundo, centrada na luta selvagem do indivíduo para estabelecer algum tipo de supremacia sobre os demais.

- Os fatos são narrados à medida que afloram à memória do narrador, que vai tecendo suas digressões, refletindo sobre seus atos, sobre as pessoas, exteriorizando uma visão cínica, irônica e desencantada de si mesmo e dos outros.



Noite na Taverna

 Noite na Taverna


1. Introdução

- Escrita em 1878 por Álvares de Azevedo;

- O livro é composto sete contos e uma introdução;

- Literatura fantástica brasileira, influenciada por Edgar Allan Poe.


2. Análise estrutural

2.1 Narrador: predominância primeira pessoa (cada personagem narra seu conto, com exceção do último, escrito em terceira pessoa);

2.2 Espaço: Cidades lúgubres, noite escuras, casas; lugares remotos;

2.3 Tempo: cronológico;

2.4 Personagens: Solfieri, Johann, Gennaro, Bertran, Hermann e Arnold;

2.5 Contos:

-  Primeira parte: a primeira parte constitui uma espécie de apresentação do ambiente da taverna.

-  Segunda parte (Solfieri e a Necrofilia): Solfieri decide contar sua história sobre uma noite, ao vagar por uma rua, em Roma, vê a sombra de uma mulher chorando, numa escura e solitária janela, parecendo uma estátua pálida à lua.

-  Terceira parte (Bertran e a Antropofagia): Bertram, um dinamarquês ruivo, de olhos verdes, conta que, também, uma mulher, uma donzela de Cadiz, Angela, o levou à bebida e a duelar com seus três melhores amigos e a enterrá-los.

-  Quarta parte (Gennaro e a Traição das Traições): Gennaro conta sobre um velho pintor, Godofredo Walsh, casado com uma jovem de 20 anos, Nauza, que lhe serve de modelo e é amada como a filha do primeiro casamento, Laura, garota de 15 anos.

-  Quinta parte (Claudius Hermann e a Paixão de Morte): Claudius Hermann expõe sua história sobre suas loucuras, orgias e como desperdiçou uma fortuna no turfe, em Londres, onde vê uma bela amazonas, a duquesa Eleonora, esposa do duque Maffio. 

-  Sexta parte (Johann e o Incesto): Johann conta sua história acerca do dia que, ao sair do quarto, encontra um vulto à porta, cuja voz lhe soa familiar.

-  Última parte (O Último Beijo de Amor): É noite alta na taverna, todos dormem. Entra uma mulher pálida, vestida de negro, procurando alguém com uma lanterna na mão. 


3. Fortuna crítica

- A obra apresenta os desvarios do poeta em que se deixa influenciar por quase todas as grandes características das novelas mórbidas do século XIX. 

- As narrativas que constituem o cerne desta obra recebem certa dose de magia e coerência por envolver o leitor, prender-lhe a atenção, dirigi-lo ao final.

- Contém elementos romanescos e satânicos que a condimentam (violentação, corrupção, incesto, adultério, necrofilia, traição, antropofagia, assassinatos por vingança ou amor) remetem a atmosfera byroniana.

- Noite na Taverna, obra escrita em tom bastante emotivo, antecipa em vários aspectos a narração da prosa moderna.

A viuvinha

 A Viuvinha

1. Introdução

-  Romance de José de Alencar publicado em 1857;

-  Romance urbano de José de Alencar;

-  Precursor do romance Senhora, publicado em 1874.


2. Análise estrutural

2.1 Narrador: terceira pessoa (narrador observador dos fatos);

2.2 Espaço: casas, estabelecimentos e ruas do Rio de Janeiro

2.3 Tempo: cronológico, não linear (flashback);

2.4 Personagens: Carolina, Jorgem, Dona Maria, Sr. Almeida.

2.5 Enredo: historia de Jorge, que forja a própria morte para tornar-se digno de Carolina.


3. Fortuna crítica

- A obra no traz elementos como o acaso, o mistério, o suspense, certa religiosidade, a idealização e as fragilidades femininas, a descrição de ambientes, costumes e o “tão esperado final feliz.

- É a reificação, a busca do sucesso material como condição de mobilidade na vida da cidade, mas é também, ainda que de longe, a busca de um lugar ao sol social ainda com os valores do antigo regime, pelos méritos da ousadia, numa sociedade de desiguais.