1.2 Características do Discurso Direto
a) No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, geralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar, sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que podem introduzi-lo. Além disso, são marcados por aspas ou por travessões.
b) No plano expressivo, a força da narração em discurso direto provém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio.
2. Discurso Indireto
>> O discurso indireto ocorre quando o narrador utiliza suas próprias palavras para reproduzir a fala de um personagem.
a) No plano formal, verifica-se que, introduzidas também por um verbo declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc), as falas dos personagens se contêm, no entanto, numa oração subordinada substantiva.
b) No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o emprego do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter predominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral e atualizadora do discurso direto.
2.2. Transposição do Discurso Direto para o Indireto
a) Verbos:
Presente > Pretérito Perfeito.
Pretérito Perfeito > Pretérito imperfeito.
Pretérito Imperfeito > Pretérito mais-que-perfeito.
Futuro do Presente > Futuro do Pretérito.
b) Pronomes
Primeira pessoa > Terceira Pessoa.
c) Advérbios
>> Marcar distanciamento.
B) No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta construção:
> Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas peculiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elaborados;
> O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialistas, em suas páginas de monólogo interior;
> Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem sempre aparece isolado em meio da narração.